Para o Brasil construir seu futuro, é essencial a mobilização da sociedade – e que isso seja feito com propósitos bem definidos, segundo os participantes do painel “A urgência do Futuro”, o primeiro do fórum Você Muda o Brasil, realizado na manhã desta segunda-feira, em São Paulo.

É necessário união para que se construa o país que queremos, diz Rubens Menin, presidente do conselho de administração da MRV. “Nós precisamos de união. O Brasil não pode ser ‘nós’ contra ‘eles’. O Brasil é apenas nós”, afirma. “E isso se faz com a definição de um propósito.”

A importância da união também foi um dos temas levantados por Pedro Passos, cofundador da Natura. “Um país se constrói com consensos, e não dissensos”, afirmou. “E o fato é que a totalidade dos brasileiros quer emprego, saúde, educação, segurança. São os anseios prioritários. O Estado tem que se concentrar no que é essencial.”

Um dos instrumentos de união pode ser aquela voltada ao acompanhamento do trabalho dos parlamentares. Natalia Mazotte, diretora executiva da Open Knowledge Brasil, contou sobre a experiência com Rosie, um robô de monitoramento dos gastos públicos. A partir do trabalho do robô, surgiram 8 mil suspeitas de gastos indevidos – e, desse volume, foram feitas 600 denúncias. “Mas, mais importante que esses números, é a mudança de cultura que estamos construindo.”

Monitorar o trabalho dos homens públicos não é sinônimo de colocar todos na vala comum, raciocina Mônica Sodré, diretora executiva da Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (RAPS). “É urgente mudar não só a relação dos políticos com a sociedade, mas da sociedade com os políticos”. afirma ela. “A cada quatro anos, os brasileiros elegem 70.488 políticos. É claro que não são todos iguais, mas nossa tendência é de julgar que todos são iguais – e igualmente ruins.”

O país ainda tem dificuldade de definir o que quer, afirma Silvio Meira, agitador na Muchmore Digital. “O futuro é urgente, mas temos que definir nosso propósito”, disse.

Segundo a geneticista Mayana Zatz, um dos caminhos para o desenvolvimento passa necessariamente pelos investimentos em inovação. O país ainda investe o equivalente a menos de 1% de seu produto interno bruto (PIB) em ciência e tecnologia, enquanto em países desenvolvidos esses aportes são, em média, superiores a 3%. “Temos que chegar a pelo menos 2%. Do contrário, auga de cérebros é irreversível”, diz.

Assista ao painel na íntegra: