As fake news são um desserviço à democracia; saiba como evitá-las e como não contribuir com sua disseminação

Em 2016, o Dicionário Oxford consagrou “post-truth”, ou “pós-verdade”, como a expressão mais marcante do ano, notabilizado pela forte presença das chamadas fake news na eleição presidencial americana. Em 2018, é o Brasil que vive uma avalanche de produção e disseminação de notícias falsas, encontradas fartamente nas redes sociais e grupos de WhatsApp.

As fake news são um desserviço à democracia – e mesmo uma ameaça a ela. Veja a seguir cinco maneiras não só de identificá-las, mas também de não ser um agente (mesmo involuntário) de sua disseminação.

1. Jamais compartilhe antes de ler

Uma tendência muito comum nas redes sociais é o ato de curtir ou compartilhar uma notícia sem antes ler. O problema é que uma página mal-intencionada pode alterar detalhes importantes na miniatura que é exibida no feed, como a imagem de destaque e a manchete. É possível, ainda, que a chamada traga trechos que, de fato, estão na notícia, mas que, tirados de contexto, podem dar um sentido completamente diferente à situação ou à fala de um entrevistado, por exemplo.

Durante a leitura, é importante prestar atenção se o texto traz elementos relevantes e característicos do estilo jornalístico, como nome e cargo dos envolvidos, data de quando o fato aconteceu (ou vai acontecer) ou quem reportou os acontecimentos. Além disso, erros de ortografia casuais em sites de internet são normais, mas uma quantidade excessiva ao longo de toda a notícia pode ser um indício.

2. Faça uma busca no Google

Uma maneira eficaz de desmascarar boatos é uma simples busca no Google. Existem diversos sites dedicados a desvendar esse tipo de conteúdo, como o Aos Fatos e a Agência Lupa, que, inclusive, fecharam uma parceria com o famoso buscador para dar mais destaque a resultados verdadeiros. Se ao buscar determinada informação você só encontrá-la em páginas desconhecidas, suspeitas ou ligadas a grupos políticos específicos, é melhor evitar o compartilhamento.

3. Pesquise a reputação do veículo

Conhecer o veículo onde a notícia foi publicada é importante. Muitos sites, como o Sensacionalista e o Piauí Herald, criam notícias falsas, mas não com o intuito de criar boatos, e sim de fazer humor. Por isso, é importante se certificar de que não está diante de uma página de humoristas, mas de um veículo jornalístico real.

Outros portais, por sua vez, usam nomes similares aos de veículos famosos, como O Globo ou a Folha de S. Paulo, como avisa o próprio Facebook, e é importante prestar atenção aos detalhes da URL e da interface da página. Se a dúvida permanecer, vale pesquisar em veículos famosos, de dentro ou fora do Brasil, se a notícia foi dada por lá.

4. Veja se a data de publicação é mesmo recente

Outra técnica bastante comum usada pelos espalhadores de boato é resgatar fatos antigos, muitas vezes já esclarecidos, e voltar a compartilhá-los como se fossem um acontecimento recente. Por isso, é importante ficar de olho na data de publicação original da notícia para ter certeza de que não está caindo nessa armadilha.

5. Use o bom senso e, se possível, consulte as fontes oficiais

Sempre que estamos diante de uma notícia é importante nos questionarmos sobre alguns aspectos. Esse acontecimento é científica ou politicamente possível? Será que essa pessoa ou empresa, por mais que eu não goste dela, seria capaz de fazer uma declaração como essa? E será que essa outra, por mais que eu simpatize com ela, não seria? Esse tipo de questionamento ajuda a evitar boatos improváveis, como supostas doações feitas pelo Facebook a cada compartilhamento de uma foto específica ou possíveis declarações feitas pelo Papa e outras figuras políticas.

Além disso, sempre que possível, é interessante consultar fontes oficiais, como uma provável decisão judicial que tenha gerado aquela notícia, ou verificar se o suposto projeto de lei do qual a publicação fala realmente existe. Esses passos ajudam a criar uma internet mais segura, com mais diálogo e livre de mentiras.

(Com informações do TechTudo)

 

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